Um disco conceitual é sempre uma aposta. Este aqui acompanha um único dia na vida de um bairro, da madrugada à madrugada seguinte, e cada faixa corresponde a uma hora.
A ideia é boa e a primeira metade cumpre o que promete. As faixas da manhã têm ritmo de rua acordando, com samples de feira e buzina, e letras que funcionam quase como crônica.
Onde o disco perde força
O meio do álbum se arrasta. Três faixas seguidas repetem o mesmo andamento e o mesmo tema, e a sensação é de que o conceito passou a mandar mais que a música.
A reta final recupera o fôlego, principalmente na faixa das dez da noite, que é das melhores coisas que o artista já gravou.
Eu sabia que ia dividir. Disco que todo mundo gosta igual é disco que não arriscou nada.
Veredito
Irregular, mas corajoso. É o tipo de disco que envelhece melhor do que estreia, e que vai ser redescoberto daqui a alguns anos.


