O estúdio é um quarto de três por três, com espuma colada na parede e um microfone comprado em doze parcelas. Foi ali que saiu o disco de estreia, lançado no mês passado e já entre os mais ouvidos da cena independente.
Como começou?
Fazendo beat no celular, no ônibus, voltando do trabalho. Quando juntei dinheiro para o primeiro computador, já tinha mais de duzentas ideias guardadas.
Por que gravar tudo em casa?
Porque o som que eu queria estava aqui. Estúdio grande deixa tudo limpo demais. Eu queria que desse para ouvir o bairro no fundo da faixa.
Eu não queria soar como todo mundo. Queria soar como a minha rua.
E o próximo passo?
Levar o disco para o palco com banda. E abrir o quarto para quem está começando e não tem onde gravar.


